Fiscalizações de postos de combustíveis são mantidas no Paraná - 20/03/2008 17:05:46
A fiscalização de postos de combustíveis que está sendo realizada há cerca de um mês pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Comitê Sul Brasileiro de Qualidade de Combustíveis e Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniência do Estado do Paraná (Sindicombustíveis), continuará sendo realizada no Paraná. Desde que o trabalho começou, há cerca de um mês, mais de 100 postos foram vistoriados. A operação acontece agora em Foz do Iguaçu e deve continuar até semana que vem nesta cidade.
“O principal problema que estamos verificando é a mistura, além da conta, do álcool na gasolina, que torna o produto mais lucrativo para o dono do posto, mas prejudica o consumidor que coloca uma gasolina que não rende e prejudica o motor do carro”, contou o delegado do Cope, Francisco Caricatti.
Há cerca de um mês, as operações começaram no interior do estado. As cidades foram Foz do Iguaçu, Maringá, Londrina, Cascavel e Ponta Grossa. Os postos foram escolhidos por amostragem. “Não é possível visitarmos todos eles, mas o fato de estarmos na cidade inibe a ação dos demais”, ressaltou o delegado. Em Cascavel, dos postos fiscalizados, um tinha combustível adulterado e em Foz do Iguaçu, outro posto foi autuado por adulteração.
No entanto, a cidade que chamou mais atenção foi Curitiba, cujos problemas encontrados estão muito acima da média nacional. “Em 11% dos postos fiscalizados foi constatada adulteração, enquanto que a média nacional gira em torno de 4%”, disse o delegado.
Dos cerca de 40 postos visitados, em quatro foi encontrada mistura a mais de álcool. “Em um posto foi 53% e em outros três postos foi 31%. O normal é entre 24% a 26%”, contou Caricatti. Nestes quatro casos, os proprietários foram autuados em flagrante por crime contra as relações de consumo e pagaram fiança de cinco mil cada um para sair da prisão.
De acordo com o coordenador do Comitê, Fabrizzio Machado da Silva, o problema é que Curitiba sofre com a falta de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP). “Se houvesse um trabalho dos órgãos fiscalizadores nos postos, como a ANP e o Procon, esta média seria muito menor. ANP pode lacrar a bomba do posto ou interditá-lo, pode ser feito um auto de infração com multa de até R$ 50 mil, mas existe apenas um fiscal da ANP para todo o Paraná e as ações são cada vez mais escassas”, disse Silva.
O presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, lembrou que no ano passado procurou a Secretaria da Segurança para ver se poderia auxiliar o setor contra o descaminho. A Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas então deflagrou três grandes operações, que foram as três Medusas. “Ninguém nunca nos ajudou tanto quanto a Sesp com as Medusas e conseguimos desvendar muitas das mazelas que existem em nosso setor. Fora isto, temos bastante apoio do Cope”, contou Fregonese.
De acordo com o delegado Caricatti, as ações continuam. “Este trabalho vai ser continuado e vamos retornar aos postos com problemas também”, garantiu Caricatti.
Foz do Iguaçu - Nesta quarta-feira (19), a fiscalização aconteceu em Foz do Iguaçu e focou os postos clandestinos. Onze locais foram visitados pela polícia e destes, seis estavam funcionando. Seis pessoas foram presas e quatro veículos foram apreendidos. A polícia foi até estes locais baseada em denúncias feitas pelo Sindicombustível.
“O que nos chamou a atenção em foi a forma como os combustíveis estavam sendo acondicionados, em galões plásticos e abertos. O que causou estranheza é que imaginávamos que os brasileiros comprassem o combustível na Argentina, mas pegamos no ato um argentino descarregando combustível em um dos estabelecimentos”, contou o delegado Caricatti.
Os locais visitados eram fundos de quintal de casas, borracharias, lava-cars e oficinas mecânicas. Os galões ficavam empilhados e armazenados sem a mínima proteção e a gasolina era vendida a dois reais o litro.
De acordo com Caricatti, a composição da gasolina argentina é diferente da brasileira. Segundo ele, a Argentina possui chumbo, substância proibida no Brasil por ser cancerígena. “No Brasil ela é considerada imprópria para consumo”, disse ele.
Na semana que vem a operação segue em Foz do Iguaçu com a fiscalização de postos regulamentados, para verificar se a gasolina está adulterada e se estão vendendo combustíveis da mesma distribuidora da bandeira que ostentam, o que é obrigatório.

























