Taxa de assassinatos em Curitiba é menor hoje que na década de 1990 - 19/03/2008 18:10:00
Dados do Grupo Auxiliar de Planejamento (Gap) da Polícia Civil comprovam que a taxa de homicídios dolosos em Curitiba foi maior na década de 1990 do que nos últimos cinco anos. Em 1997, por exemplo, a taxa chegou a 40,85 homicídios a cada 100 mil curitibanos. Em 99, registraram-se 40,44 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Em 2007, a taxa ficou em 32,77 mortos a cada 100 mil pessoas.
Em números absolutos, houve 626 assassinatos na capital em 2000 — média de 1,7 por dia. Em 2007, foram 589 mortes — 1,6 por dia. Em números relativos, 2000 teve 39,4 homicídios a cada 100 mil curitibanos, ante 32,77 por 100 mil no ano passado.
“Esta é a prova de que não houve explosão no número de homicídios na cidade. Mesmo com o grande crescimento populacional registrado em Curitiba, conseguimos manter a média de uma década atrás. A taxa ainda é alta, mas a polícia trabalha incansavelmente para reduzi-la”, disse o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari.
Nos 13 anos retratados na tabela da Polícia Civil, vê-se, por exemplo, que em 2004 registrou-se 472 homicídios, exatamente o mesmo número de assassinatos registrados em 1995. Entretanto, a população curitibana em 1995 — de acordo com o censo de 1991, era de pouco mais de 1,3 milhão de habitantes. Em 2007, segundo a contagem populacional, Curitiba tem quase 1,8 milhão de habitantes — ou 36% mais gente.
“O crescimento da população de forma desorganizada, como aconteceu em nossa Região Metropolitana, poderia ter gerado um aumento significativo dos homicídios. Além disso não ter acontecido, felizmente, estamos conseguindo reduzir os números”, disse Delazari.
De acordo com os números da Polícia Civil, em 1995, foram registrados 472 homicídios; em 96, 490; em 97, foram 603; em 98, 539; em 99, 597; em 2000, 626; em 2001, 443; e em 2002, 508. Neste período a média anual de homicídios fica em 534,75. A partir de 2003, a polícia registra 515 homicídios; em 2004, 472; em 2005, 625; em 2006, 599 e em 2007, 589 – fechando média de 560 homicídios por ano. Neste ano, de 1º de janeiro a 12 de março, a Delegacia de Homicídios registrou 142 assassinatos na cidade, média de 1,9 por dia.
“Houve um aumento, mas já foram definidas diversas estratégias para que até o fim do mês voltemos ao índice histórico. Na seqüência, queremos diminuir ainda mais os números”, explicou o secretário.
Um levantamento do Geoprocessamento – Mapa do Crime mostra que em Curitiba cerca de 80% dos homicídios estão ligados diretamente ao tráfico de drogas, e outros 10% se referem a brigas familiares ou entre conhecidos.
“É bandido matando bandido na luta para crescer no tráfico de drogas. É por isso que para reforçar a luta contra os crimes de homicídios estamos unindo os trabalhos da Delegacia de Homicídios com a Divisão de Narcóticos. Quando um traficante mata outro, ele fica mais forte, mais poderoso e não podemos permitir isso”, explicou Delazari.
Quanto aos assassinatos que envolvem conhecidos ou pessoas da mesma família o secretário esclarece que, infelizmente, são crimes difíceis de evitar. “É praticamente impossível prevenir um crime passional ou um acerto de contas. Geralmente, estes crimes acontecem em ambientes fechados, onde a polícia não pode atuar na prevenção”, disse o secretário.
Delazari explicou que a prisão dos culpados é o fator principal para prevenir novos homicídios. “Se a polícia prende o criminoso rapidamente e logo ele é punido pela Justiça, perde-se a sensação de impunidade”, argumentou.
A Secretaria da Segurança já colocou em prática a estratégia de “congelar” as áreas onde acontecem os homicídios. De acordo com o Geoprocessamento, cinco bairros da capital — CIC, Sítio Cercado, Tatuquara, Uberaba e Cajuru — concentram 60% dos homicídios registrados em Curitiba, embora concentrem apenas 30% da população da cidade.
“Nós já estamos em ação. Assim que houver um homicídio, a polícia vai congelar o local, identificando testemunhas, fazendo seu trabalho com muita agilidade. Queremos aumentar o número de casos solucionados”, explicou. Em 2008, 40% dos assassinatos registrados pela Delegacia de Homicídios foram elucidados, com a prisão de trinta acusados.

























